Ali Hazelwood retorna ao universo acadêmico que já virou sua marca registrada, mas aqui ela aprofunda algo que vai além do romance: a identidade.
Em Amor, Teoricamente, acompanhamos Elsie Hannaway, uma física teórica brilhante que passou a vida inteira se moldando para sobreviver — seja como professora adjunta mal remunerada, seja como namorada de mentira, papel que ela desempenha com perfeição graças à sua habilidade de se adaptar exatamente ao que esperam dela.
O grande conflito da história surge quando o “Elsie-verso”, cuidadosamente equilibrado, começa a ruir. Jack Smith entra em sua vida como uma ameaça direta: além de ser irritantemente atraente, ele é um físico experimental renomado e pode ser justamente o obstáculo entre Elsie e o emprego dos seus sonhos. O que começa como uma rivalidade acadêmica carregada de tensão se transforma em algo muito mais complexo — e perigoso para as defesas emocionais da protagonista.
Ali Hazelwood constrói o romance com inteligência e humor, usando o embate entre física teórica e experimental como metáfora para o próprio relacionamento dos protagonistas. De um lado, Elsie vive de hipóteses, versões e simulações de si mesma. Do outro, Jack representa o confronto direto com a realidade — inclusive com as partes dela que ela prefere esconder.
O grande acerto do livro está em mostrar que o romance não é apenas sobre se apaixonar, mas sobre deixar de fingir. Ao lado de Jack, Elsie percebe que talvez não precise mais performar para ser aceita, nem se reduzir para caber em espaços acadêmicos que insistem em subestimá-la. O amor aqui não surge como solução mágica, mas como catalisador de uma mudança interna profunda.
Amor, Teoricamente é uma comédia romântica afiada, divertida e emocionalmente honesta, que equilibra muito bem romance, crítica ao meio acadêmico e uma protagonista complexa, cansada de sobreviver e pronta para finalmente existir como é. Um livro que prova, mais uma vez, que Ali Hazelwood sabe transformar ciência, insegurança e desejo em histórias envolventes — e impossíveis de largar.